LSD História, Efeitos, Riscos de Utilização e informação variada.

Introdução

LSD é a sigla de Lysergsäurediethylamid, palavra alemã para a dietilamida do ácido lisérgico. Pela sua história e uso tornou-se uma das mais estudadas e populares substâncias psicadélicas conhecidas.

O LSD, ou mais precisamente LSD25, é um composto cristalino sintetizado a partir dos alcalóides produzidos pelo fungo Claviceps Purpúrea (cravagem-do-centeio) como resultado das suas reacções metabólicas.

Contrariamente à propaganda e desinformação cultural, o LSD não é tóxico nem causa dependência. É estruturalmente semelhante à seratonina, um neurotransmissor cerebral, mimetizando a mesma ao agir sobre os receptores cerebrais que a captam. O LSD tem sido utilizado com sucesso para tratar a ansiedade, a depressão, a adicção/dependência, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), o autismo e as cefaleias em salva.

Muitas pessoas escolhem usar o LSD como ferramenta de desenvolvimento pessoal, uma vez que a substância permite ao utilizador uma consciência mais introspectiva comparativamente ao estado “normal” de consciência. Também revelou ser capaz de induzir experiências místicas e desencadear mudanças positivas na personalidade.

Há igualmente relatos que revelam a sua utilidade no incremento da criatividade e na resolução de problemas. Ambos os fundadores das duas maiores empresas computacionais, Steve Jobs e Bill Gates, usaram LSD. Numa entrevista com o repórter do New York Times, John Markoff, Steve Jobs afirmou que tomar LSD foi uma das coisas mais importantes que fez na sua vida.


História

O LSD foi sintetizado pela primeira vez em 1938 pelo químico suíço Albert Hofmann nos laboratórios Sandoz – uma síntese que procurava criar um estimulante circulatório e respiratório. Passados 5 anos, ao ressintetizar o composto, Hoffmann acidentalmente experimentou os efeitos da substância, presume-se que através do contacto com a pele dos dedos. A 19 de Abril de 1943, três dias após a dosagem acidental, o químico testa voluntariamente os efeitos do composto em si mesmo, consumindo 250 microgramas – uma data que viria a ficar conhecida como o “Dia da Bicicleta”, pois após sentir os efeitos da substância regressou a casa de bicicleta, marcando a primeira “viagem” de LSD da história. A experiência intensa que vivenciou fê-lo aperceber que tinha feito uma descoberta importante e previu, correctamente, o seu potencial como ferramenta psicoterapêutica e psiquiátrica.

Durante a década de 40 até a metade da década de 70 foram realizadas e publicadas inúmeras pesquisas médicas e artigos sobre o LSD. Um artigo da Time Magazine em 1955 apelidava o composto como “uma ferramenta valiosa para os psiquiatras”. Os profissionais da área de saúde estavam a utilizar o LSD como um auxiliar eficaz no tratamento e cura de adicções/dependências. Bill Wilson, o fundador dos Alcoólicos Anónimos, utilizou com frequência o LSD e chegou a sugerir a sua inclusão como uma parte do programa dos 12 passos. Wilson acreditava que o LSD o tinha ajudado a ultrapassar a sua debilitante depressão e que a mesma poderia ser útil no tratamento do alcoolismo pois facilitava aos utilizadores um acréscimo de insights e de espiritualidade. Concomitantemente ao desenvolvimento das pesquisas médicas, a CIA desenvolveu inúmeras pesquisas sobre o composto na tentativa de o transformar num soro da verdade – um projecto conhecido por MKULTRA.

A meio da década de 60 houve uma grande reacção cultural, política e legal contra o LSD, uma vez que a substância estava intimamente ligada ao movimento de contracultura dos anos 60. O LSD era conhecido por tornar as pessoas mais empáticas e menos materialistas, atacando os pilares da sociedade de então, assentes no capitalismo e no complexo industrial-militar. Timothy Leary, psicólogo, guru da contracultura e do movimento psicadélico, foi o grande apologista do uso do composto como ferramenta contracultural (expressa nos slogans “Pensa por ti mesmo, questiona a autoridade.” e “Turn on, Tune in, Drop Out.”). Leary incitou o uso da substância através de programas televisivos e diversos eventos, o que acabaria por o tornar o porta-estandarte do movimento contracultural e, para muitos, o grande responsável pela proibição do seu uso.

Os meios de comunicação social diabolizaram o LSD e após muita propaganda e histeria a substância foi proibida. Em 1966 a Califórnia tornou-se o primeiro estado americano a exercer a sua proibição e, posteriormente, através da aprovação do projecto de lei federal Staggers-Dodd em 1968, foi proibida a sua posse. A campanha de proibição iria atingir o auge em 1970 através da Lei das Substâncias Controladas (inserida na Comprehensive Drug Abuse Prevention and Control Act), que classificou o LSD dentro da categoria da Tabela 1 de substâncias ilícitas (agrega substâncias classificadas como tendo um grande potencial para o abuso e sem qualquer utilidade médica comprovada). Nos anos subsequentes, muito por pressão internacional, a maior parte dos países seguiram as directivas proibicionistas americanas.

Desde os anos 70 que a pesquisa científica tem sido maioritariamente proibida, salvo raras excepções. Houve um ressurgimento das pesquisas psicadélicas que começou no início dos anos 90, embora ainda seja bastante difícil obter licenças para o seu estudo devido à classificação como uma droga de Tabela 1. Estão a decorrer actualmente pesquisas na Suíça que utilizam a psicoterapia assistida com LSD no tratamento da ansiedade em pacientes com doenças terminais[3].


Nomes Comuns
  • LSD, Ácido, Gotas, Micropontos, Selos, Trips.
LSD no distribuído em papel mata-borrão com um desenho representativo da viagem de bicicleta feita por Albert Hofmann em 1943

LSD no distribuído em papel mata-borrão com um desenho representativo da viagem de bicicleta feita por Albert Hofmann em 1943

Várias formas de distribuição de LSD - papel mata-borrão, micropontos de vários tamanhos, comprimidos, cubo de açucar e líquido.

Várias formas de distribuição de LSD – papel mata-borrão, micropontos de vários tamanhos, comprimidos, cubo de açucar e líquido.

Quando vendido no formato de folhas de papel mata-borrão com desenhos, é comum ser designado pelo desenho do papel. Por exemplo: Hofmans, Panoramix, Shivas, etc.


Riscos e Avisos de Utilização
  • Será mesmo LSD? Só porque te dizem que um selo, microponto ou gota é LSD isso não quer dizer nada. O problema das substâncias químicas reside no facto de estas não poderem ser identificadas sem qualquer tipo de análise química. Actualmente, com a proibição da produção laboratorial de LSD e com a dificuldade em obter os precursores para a sua síntese clandestina, é frequente que muitos do materiais vendidos no mercado negro como sendo LSD sejam, na realidade, outras substâncias menos conhecidas, mais perigosas e com efeitos bastante fortes e indesejados. Por exemplo no Boom Festival 2014 foi emitido um alerta pois detectaram selos que eram vendidos como LSD tinham, na realidade, compostos da família DOx (DOM, DOB, DOC, etc.), uma classe de anfetaminas psicadélicas que podem ter uma duração até 36 horas, ou da família 25x-NBOMe, que são derivados das fenetilaminas com efeitos psicadélicos e estimulantes e têm a característica de serem activas em doses muito baixas.
  • Possível ocorrência da Perturbação da Percepção Persistente por Alucinogénicos, erroneamente apelidada de flashbacks. Caracteriza-se pela possibilidade de ocorrência de distorções visuais como rastos de luz e halos à volta dos objectos. Estima-se, por alto, que cerca de 5% dos utilizadores de LSD vivenciam este fenómeno. Todavia estes sintomas desaparecem após semanas ou meses e só em casos raros persistem.
  • Pode aumentar temporariamente a pressão sanguínea, o que pode ser um risco para utilizadores com um historial de hipertensão.
  • O LSD, como a Cannabis, pode desencadear uma psicose latente, isto é, se o utilizador estiver predisposto a desenvolver uma esquizofrenia  ao longo da vida, o consumo de LSD pode fazer com que esta surja mais cedo. Pessoas com esquizofrenia não devem de tomar substâncias psicadélicas.
  • A ocorrência de uma má experiência (Bad Trip), embora muitos utilizadores considere que estas situações podem ser benéficas. Uma bad trip é comummente gerada pela ansiedade e pensamentos paranóides criados pelo utilizador que tenta lutar contra os efeitos e controlar a experiência.

Efeitos

A intensidade e duração dos efeitos do LSD são muito incertos e dependem de variáveis como a fisiologia individual, a dosagem, o estado mental e psicológico do indivíduo (Set) e do ambiente físico e social onde se encontra (Setting). Note-se que muitos dos efeitos negativos descritos a baixo são de curta duração e não persistem durante a totalidade da experiência; a lista serve apenas para destacar as possibilidades de efeitos que podem ocorrer.

Efeitos Físicos
  • Sentimento de vertigem
  • Perda de apetite
  • Letargia ou cansaço
  • Espasmos musculares voluntários e involuntários
  • Dormência dos membros
  • Riso e Sorrisos incontroláveis
  • Aumento da transpiração
  • Pupilas Dilatadas
  • Aumento do batimento cardíaco
  • Náusea e tonturas
  • Bocejos
  • Desconforto e cãibras estomacais
  • Olhos lacrimejantes
  • Sentimento de extrema leveza
  • Vómitos
Distorções Visuais
  • As superfícies parecem ondulantes, cintilantes ou como que a respirar
  • Padrões aparentam ter movimento
  • Aumento da acuidade visual
  • As cores tendem a fazer um desvio para as tonalidades vermelhas
  • Os objectos em movimento deixam rastos
  • As cores parecem mais brilhantes
  • Distorções da percepção espacial – objectos longínquos aparentam estar próximos e/ou objectos próximos aparentam estar longínquos
  • Visões, geralmente com padrões geométricos, quando se fecha os olhos.
Distorções Auditivas
  • A acuidade auditiva fica mais sensível a distinções sonoras, aumentando o prazer de ouvir música
  • Alucinações auditivas
  • Sinestesia
Distorções Tácteis
  • Aumento da sensibilidade ao toque, particularmente em superfícies com texturas interessantes como, por exemplo, o tronco de uma árvore
  • Sentimento de energia a pulsar no corpo
  • Sentimentos estranhos na zona dos dentes e/ou nariz.
Distorções Gustativas
  • Aumento do paladar e da sensibilidade a texturas e temperaturas na mucosa bucal
Distorções Olfactivas
  • Aumento da sensibilidade a cheiros
Efeitos Cognitivos
  • Sentimentos maníacos, acompanhados por indecisão na tomada de acções.
  • O mundo parece hilariante
  • Tudo é bonito / interessante
  • Aumento da auto-consciência e da introspecção
  • Sentimento de ligação com o universo
  • Sentimento de estar em contacto com um poder superior
  • Aumento da emoção, empatia e compreensão
  • Ressurgimento de memórias reprimidas
  • Sentimentos de pânico
  • Pensamento acelerado
  • Pensamento claro

Fontes